Geral 25/05/2016 - 10:49:42
Poder Judiciário discute criação de Grupo de Apoio à Adoção em AL
Juiz Carlos Cavalcante, da Comissão Judiciária de Adoção, diz ser preciso superar preconceitos quando se decide pela adoção

Evento sobre adoção está sendo realizado na Escola da Magistratura (Esmal) Evento sobre adoção está sendo realizado na Escola da Magistratura (Esmal) Foto: Maria Eduarda Baltar
Poder Judiciário discute criação de Grupo de Apoio à Adoção em AL
Judiciário promove 6º Encontro Estadual de Adoção
 
    Discutir a formação de um grupo de apoio à adoção para garantir os direitos das crianças de todos os sexos e idades é um dos objetivos do 6° Encontro Estadual de Adoção, promovido pela Corregedoria-Geral da Justiça (CGJ) do Poder Judiciário de Alagoas, nesta sexta-feira, na Escola da Magistratura (Esmal), em Maceió. Ao abrir o encontro, o presidente do Tribunal de Justiça de Alagoas, Washington Luiz, reforçou que adoção é gesto de amor que precisa ser sempre incentivado.

“Todos sabemos o gesto de importância que é uma adoção. Ela é sinônimo de amor, carinho e proteção, mas ainda são poucas as pessoas que se empenham para efetivar e promover esse gesto”, defendeu o desembargador Washington Luiz, presidente do TJ, durante abertura do evento, voltado à sociedade em geral.

Ele também destacou o aumento no número de adoções que ocorreram no Estado. “Apesar do número de adoções ter crescido cerca de 50% no último ano, o perfil das crianças adotadas ainda é o mesmo, meninas brancas e na faixa etária de 3 a 4 anos, temos que estender esse gesto um pouco mais”, comentou o presidente.

Em Alagoas, 179 crianças estão em entidades de acolhimento da capital e do interior. Destas, somente 20 estão no cadastro nacional de adoção, com idades entre 12 e 17 anos. O corregedor geral do TJ, desembargador Klever Loureiro, destacou o apoio da Presidência ao trabalho da Comissão e também ratificou a importância de se respeitar os direitos das crianças e adolescentes em instituições de acolhimento.
       O juiz Carlos Cavalcanti, presidente da Comissão Judiciária Estadual de Adoção Internacional (Cejai), defendeu uma mudança na cultura de adoção para que crianças mais velhas também tenham a oportunidade de encontrar uma família. "É preciso superar preconceitos porque não podemos admitir que crianças e adolescentes passem toda a vida em instituições de atendimento que não substituem o convívio familiar", afirmou o magistrado.

Para o magistrado, é fundamental incentivar a adoção tardia, baseada em casos de sucesso, bem como a adoção de grupos de irmãos. "Precisamos de uma mudança de paradigmas. Uma pesquisa verificou que apenas um em quatro pretendentes admite adotar crianças com 4 anos ou mais, enquanto apenas 4% dos que estão à espera de um lar têm menos de 4 anos”, revelou.


Juiz Carlos Cavalcanti: "É preciso superar preconceitos. Precisamos de uma mudança de paradigmas"

Ainda de acordo com o juiz Carlos Cavalcante, são 35.000 pretendentes inscritos no Cadastro de Adoção, com  75% admitindo adotar crianças pardas. “Temos que encontrar uma família para a criança e não o contrário, porque se imagina uma criança e um cenário ideal, que não existe. Não podemos admitir que essas crianças e adolescentes passem a vida em instituições de acolhimento, que não substitui o convívio familiar", completou.

Sem dificuldades para adotar

O casal Andrew Rodrigues e Yvan Silva (foto abaixo), pais do pequeno Felipe, de cinco anos, participaram do evento e falaram sobre a experiência de adotar uma criança. “Vivemos juntos há 12 anos e acabamos nos tornando um exemplo. Não tivemos nenhuma dificuldade no processo e isso é muito positivo porque permite a outos casais realizar o sonho de formar uma família”, disse Andrew. 
Eles também elogiaram o trabalho dos vários órgãos envolvidos no processo da adoção. “Diferente do que pensávamos, tivemos muito apoio, fomos muito bem tratados e não encontramos barreiras no processo. Não me arrependo, somos um casal ainda mais feliz agora”, concluiu Yvan. 


Yvan e Andrew foram ao encontro estadual sobre adoção promovido pelo TJ com o filho Felipe, de cinco anos

Rickelane Gouveia, presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente (CEDCA), disse aos participantes do encontro ser necessário “resguardar o direito de convivência familiar e comunitária das crianças, além de promover mudanças para melhorar a qualidade de vida destas crianças”.

Para Fábio Paes, presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, é preciso mudar a concepção de crianças e adolescente não tem voz e direitos. Neste sentido, reafirmou a importância dos conselhos tutelares como instrumento de aproximação com o universo as crianças e adolescentes.


Site sobre temática da infância e juventude

A Coordenadoria Estadual da Infância e Juventude (CEIJ) lançou, durante o 6º Encontro Estadual de Adoção: “uma mudança na cultura da adoção”, um site com informações sobre infância e juventude para que magistrados, adotantes e técnicos que atuam na área da infância e juventude, possam consultar informações sobre serviços, documentos e requerimentos, entre outros, necessários para a adoção nacional e internacional.

No site também são disponibilizados dados sobre os abrigos do Estado e sobre as unidades de internação provisória, bem como provimentos, resoluções e recomendações relacionadas às varas da infância e da juventude.    Para atender estudantes e profissionais interessados em pesquisar sobre temas referentes a infância e juventude, a página também traz indicações de livros, textos, filmes e músicas sobre a temática. 

Mais informações sobre adoção podem ser adquiridas pelos telefones: (82) 4009-3149 e  9.8166-8697 e através do e-mail coordenadoriainfancia@tjal.jus.br


Pedro Neto / Emanuelle Oliveira
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