Tribunal do Júri 07/07/2016 - 15:15:47
Conselho de Sentença de Porto Calvo julga acusado de matar ex-companheira grávida
Sessão, conduzida pelo juiz José Eduardo Nobre Carlos, está sendo realizada no Fórum da Comarca e deve terminar no final da tarde desta quinta-feira (7)

Gustavo José dos Santos está sendo julgado no Fórum de Port Calvo. Gustavo José dos Santos está sendo julgado no Fórum de Port Calvo. Foto: Caio Loureiro

    O réu Gustavo José dos Santos está sendo julgado, desde as 10h desta quinta-feira (7), pelo assassinato de sua ex-companheira, Genílsula Marques da Silva, que estava grávida de quatro meses. A sessão, conduzida pelo juiz José Eduardo Nobre Carlos, da 2ª Vara de Porto Calvo, deve terminar no final da tarde.

    Ao prestar depoimento, a mãe da jovem, Lucicleide Marques da Silva, disse que a filha e o réu conviveram por cerca de dois anos. Ela afirmou ainda que Genílsula resolveu terminar o relacionamento devido às agressões que vinha sofrendo.

    “Ele gostava muito de bater nela e ela corria lá pra casa. Depois, ele pedia pra ela voltar dizendo que não ia mais mexer com ela”. Ainda segundo a mãe da vítima, o réu agredia e ameaçava constantemente toda sua família. “Um dia 'deu' no meu marido, em mim e nela. Chegava na minha casa armado de faca ameaçando minha menina. Ele disse que só sossegava quando acabasse com a vida dela e que se ela não fosse dele não seria de mais ninguém”, completou.

    O irmão da vítima, Carlos Marques, afirmou que Gustavo também ameaçava matar o próprio filho quando estava com raiva de Genílsula e que sua mãe está com a guarda da criança. “Eles moravam de aluguel em uma casa e ele batia nela quando chegava 'cheio' de cachaça. Em uma briga, ele jogou o filho para cima e eu peguei no ar. Já agrediu minha mãe, meu padrasto e outro irmão”, contou.

    Outras três testemunhas confirmaram que todos na cidade sabiam que Gustavo era violento com a vítima e a família e que Genílsula sempre tinha hematomas no corpo. O promotor de Justiça Adriano Jorge de Barros lamentou a frequência desse tipo de crime contra a mulher na sociedade e falou sobre a expectativa do julgamento.

    “Mais um desdobramento dessa velha questão que enfrentamos que é a violência doméstica. Nós esperamos a condenação porque foi um crime grave, que chocou a população. O réu fugiu do local, depois teve que se entregar porque não tinha mais onde ficar e está preso até hoje. Esperamos que ele seja condenado de 20 a 25 nos de prisão”.

    A defesa do réu está sendo feita pela defensora pública Elaine Zelaquett. Ao se entregar à polícia, Gustavo confessou o crime e alegou que o cometeu porque estava embriagado.

O caso

    O crime ocorreu em outubro de 2014, na cidade de Jacuípe, interior de Alagoas. De acordo com o Ministério Público (MP/AL), Genílsula voltava de uma festa quando o réu a chamou para conversar. Nesse momento, ele desferiu várias facadas no abdômen da vítima, que chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos.

Matéria referente ao processo nº 0700164-49.2014.8.02.0050

Robertta Farias - Dicom TJ/AL
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