TJ sedia simpósio sobre intervenção integrada de combate à violência contra o idoso
Denunciar agressores da família é uma das maiores dificuldades dos idosos, destaca desembargadora Elisabeth Carvalho
Marília Berzins, especialista em envelhecimento, palestrou sobre o tema. Foto: Caio Loureiro
O Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ/AL), em parceria com a Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP/AL), promoveu, nesta sexta-feira (15), o simpósio “Violência contra a Pessoa Idosa – Estratégias da Intervenção Integrada” a fim de apresentar e discutir sobre a realidade do idoso em situação de vulnerabilidade.
A desembargadora Elisabeth Carvalho Nascimento destacou a importância da conscientização desse tipo de violência e destacou que ela, geralmente, é praticada por parentes próximos, o que dificulta a realização da denúncia.
“As pessoas precisam lembrar que vão ficar idosos também. Temos que ter consciência da violência sofrida dentro de seus próprios lares, pelos filhos, netos, cuidadores e na rua também. Fico agradecida por terem me procurado para que pudéssemos participar desse evento, gosto da oportunidade aprender mais, de contribuir com o crescimento espiritual e ainda mais sobre esse tema tão importante”, falou.
A secretária-adjunta da SSP/AL, Luci Mônica Ribeiro, contou sobre suas experiências como delegada no Benedito Bentes e sobre a criação de delegacias especializadas nos bairros de Cruz das Almas, Pinheiro, Salvador Lira e Benedito Bentes, no intuito de auxiliar melhor os idosos.
“Pude acompanhar muitos casos contra idosos, sejam eles por exploração do cartão de crédito, lesões ou maus tratos. Geralmente, as denúncias partiam de vizinhos, já que o idoso não tinha coragem de denunciar a família agressora. Nós ficávamos em uma situação de impotência porque muitos dos que chegavam lá diziam que não queriam estar lá porque quando voltassem para casa seria pior. Para diminuir esse tipo ocorrência, nós colocamos quatro delegacias para atendimento especial ao idoso com um acolhimento diferenciado”, relatou.
A promotora de Justiça Dalva Wanderley Tenório, que atua na 14ª Vara Criminal da Capital – que recebe os processos de violência contra crianças, adolescentes e idosos, falou sobre seu trabalho na unidade judiciária.
“São ações que você tem que olhar com muito cuidado e responsabilidade, são crimes contra criança, adolescentes e idosos. Merece uma análise profunda porque meche com problemas de toda a família. Fico muito feliz de participar desse evento como promotora, mas acima de tudo como cidadã”, disse.
Na ocasião, foi lançamento o “Projeto Cuidando de Você” coordenado pelo Núcleo de Prevenção à Criminalidade e Violência da Secretaria de Segurança Pública com o objetivo de responsabilizar o agressor e oferecer assistência à pessoa idosa em situação de vitimização de violência. O projeto divulgará ações unificadas entre entidades e órgãos públicos, com o compromisso de contribuir para a construção de uma cultura de paz e redução da criminalidade.
Palestras
A primeira palestra foi proferida por Marília Viana Berzins, assistente social e especialista em envelhecimento, que destacou a violência contra o idoso é prioritariamente doméstica e que em muitos casos, abrigos de idosos podem ser a salvação para a pessoa agredida.
“Se é difícil para a esposa denunciar o marido quando é agredida, imaginem o que os idosos sentem ao pensar em denunciar um filho. Muitos sentem vergonha, acham que estão passando por isso porque não foram um bom pai ou mãe e não desejam que os filhos sejam responsabilizados e os protegem quando alguém denuncia”, afirmou.
Marília Berzins destacou que a missão de abordar esse tema é também para difundir na sociedade que envelhecer é bom. “Precisamos valorizar essa fase da vida, envelhecimento é conquista, muitos esforços foram feitos para vivermos mais. Mas na nossa realidade é que a sociedade representa a velhice de forma vexatória”, contou.
A psicóloga e coordenadora do “Projeto Cuidando de Você”, Núbia Valéria Matta, contou como foram realizados os estudos sobre os tipos de violência contra o idoso que foram denunciados e como serão as ações promovidas pelo Estado.
“O projeto demonstra a preocupação da SSP/AL com esse tipo de violência. Para ter o controle de todos os casos e estatísticas, nós preencheremos formulários com dados da notícia do fato, de análise e de retorno, este último com detalhes do idoso e do agressor. O objetivo é tornar as notícias dos fatos em ações do Estado para combater a violência contra o idoso.”
A Rede Alagoana de Proteção e Defesa a Pessoa Idosa (Realdi), também abordou o tema com os participantes e explicou como a instituição atua em prol dos idosos.
O Coral de Servidores do Poder Judiciário, regido pelo maestro Rodrigo Andrade, se apresentou no evento.
Robertta Farias – Dicom TJ/AL
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