Banco de dados é avaliado pelo professor Luiz Antônio Ferreira como instrumento de cidadania
Alagoas, pioneiramente no Brasil, possui um banco de dados de pessoas desaparecidas, totalmente informatizado. O projeto, desenvolvido pelo Laboratório de DNA Forense da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), conveniado ao Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ/AL), foi apresentado nesta sexta-feira (13) à presidente da Corte estadual, desembargadora Elisabeth Carvalho Nascimento.
“Quando uma mãe tem um filho desaparecido, a primeira atitude é prestar a queixa na delegacia, que na maioria das vezes não tem condições de apurar o caso. Propomos que os familiares que têm parentes desaparecidos cadastrem algumas informações dessas pessoas no banco de dados, com uma foto da pessoa procurada, indo ao laboratório da Ufal ou acessando o site www.labdnaforense.org/bd”, explicou o chefe do laboratório, professor Luiz Antônio Ferreira.
O laboratório de DNA também identifica restos mortais e cadáveres não identificados que chegam por meio do Instituto Médico Legal (IML). “Muitos desses cadáveres estão ligados ao crime organizado, mas são registrados como indigentes. O banco pode auxiliar a Justiça neste sentido, identificando a pessoa morta. É um instrumento de cidadania”, afirmou Luiz Antônio Ferreira. “Caso seja encontrado o cadáver de uma criança não identificada, aquela mãe que tem um filho desaparecido pode ir lá confrontar o material que ela deixou com o que foi descoberto”, acrescentou a juíza Ana Florinda Dantas, coordenadora do Núcleo de Promoção da Filiação do TJ/AL.
Apesar de pioneiro, o projeto encontra dificuldades em divulgar o trabalho realizado pelos professores e voluntários do laboratório de DNA da Ufal. “Precisamos envolver juízes na divulgação desse trabalho, para que as pessoas que procurem informações nos fóruns sejam orientadas sobre a existência do projeto, além da colaboração de outras instituições, como o IML. Felizmente, a presidente do TJ/AL se encantou com a idéia e vai participar dessa campanha de conscientização”, afirmou o professor.
O drama da família
Segundo a juíza Ana Florinda Dantas, a principal dificuldade encontrada pelas pessoas que têm parentes desaparecidos é saber onde ou a quem recorrer. “A família fica desamparada, perde a esperança de encontrar o parente e não sabe o que fazer. Geralmente são pessoas humildes e, com o banco de dados, podem ter uma perspectiva e uma esperança de localizá-lo”, salientou.
Por meio do site, é possível localizar pessoas desaparecidas por sexo, idade, motivo do desaparecimento, cidade e estado. O Banco de Dados de DNA de Pessoas Desaparecidas é um projeto sem fins lucrativos concebido e desenvolvido pelo Laboratório de DNA Forense da UFAL e conta com a colaboração de pesquisadores e membros da comunidade. O projeto funciona na Avenida Aristeu de Andrade, 452, Farol, e disponibiliza o telefone (82) 3336-6558 para contato.













