Geral 12/03/2009 - 10:32:16
TJ homenageia líder comunitária da Sururu de Capote


Vânia Teixeira solicita apoio do TJ para crianças envolvidas com entorpecentes Vânia Teixeira solicita apoio do TJ para crianças envolvidas com entorpecentes

     Homenageada pelo Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ/AL) pelo trabalho desenvolvido com a população ribeirinha da Lagoa Mundaú, Vânia Teixeira, 38 anos, presidente da Associação de Ações Comunitárias dos Moradores da Orla Lagunar, é vista como umas das principais referências femininas no Estado. Com um histórico de vida peculiar, ela relata os dramas diários dos cerca de 3.500 indivíduos que residem às margens da Lagoa Mundaú, e que formam as comunidades Mundaú, Muvuca, Torres e a Sururu de Capote, onde reside.

     Insatisfeita com os ciúmes constantes da irmã, a catadora de sururu saiu de casa com 11 anos ao saber que era adotada. A partir desse momento iniciava uma trajetória marcada pelo tráfico e prostituição. “Não tive outra alternativa. Ninguém confia emprego à uma moradora de rua, a única maneira que vi para sobreviver foi traficando drogas e me prostituindo”, afirma a líder comunitária, que busca no passado a força para encorajar e auxiliar as mulheres da sua região que ainda enfrentam esse drama. “Para as companheiras ofereço o meu conforto, estou sempre orientando-as, mostro a minha história de vida como exemplo”.

     Mãe de cinco filhos, Vânia Teixeira, tenta garantir à menina Daiana, de 11 anos, uma história diferente: financia o ensino da filha com o auxílio que recebe do Programa Bolsa Família, mas lamenta não poder estender a oportunidade aos outros filhos. “Infelizmente não tenho dinheiro para pagar escola particular para todos eles. Optei pela Daiana porque temo que ela repita a trajetória da irmã, que aos 15 anos largou os estudos e já é mãe”, ressalta.

     Na associação, Vânia Teixeira luta com as armas que dispõe. A problemática mais recente da comunidade é a remoção dos moradores para o bairro do Tabuleiro dos Martins, onde receberão casa e orientação para a prática da atividade artesanal. “Aqui desenvolvemos a cultura do sururu, é através desse alimento que sustentamos nossas famílias. Será difícil para essas pessoas aceitarem outra atividade. Muitos certamente ficarão sem renda”, observa.

     Quando questionada sobre os ensinamentos resultantes de suas experiência e a satisfação à frente nas tarefas da associação, Vânia Teixeira responde: “Nunca deixo de olhar para trás, tenho sempre um olho no passado e o outro no futuro. Os obstáculos que enfrentei me ajudaram a crescer e servem de lição para os meus companheiros. Sei que o nosso trabalho é de formiguinha, mas o que move e alimenta as nossas lutas é o amor que temos um pelo outro. Jamais irei abandonar minha comunidade”, enfatiza.