Geral 24/09/2018 - 13:32:15
Júri: Mãe de Davi Hora pede condenação; réu volta a negar intenção
Valéria Hora disse que o filho não era amigo do réu, apenas conhecido. ‘Eu tinha medo de deixar o meu filho ir pra essa festa justamente por não conhecer esse rapaz’

Réu Rodolfo Câmara chora diante do juiz Helestron Costa, no interrogatório. Réu Rodolfo Câmara chora diante do juiz Helestron Costa, no interrogatório. Foto: Caio Loureiro

A 4ª Vara Criminal de São Miguel dos Campos conduz o julgamento do réu Rodolfo Câmara Amaral Calheiros, acusado de homicídio contra Davi Hora Barros Omena, nesta segunda-feira (24). Pela manhã, foram ouvidas duas testemunhas, a mãe da vítima e o réu. Durante a tarde, ocorrerão os debates entre defesa e acusação. O juiz Helestron Silva da Costa preside o júri popular.

Muito emocionada durante o depoimento, a mãe da vítima, Valéria Hora, disse que o filho não era amigo do réu, apenas conhecido. “Eu tinha medo de deixar o meu filho ir pra essa festa justamente por não conhecer esse rapaz, que não frequentava nossa casa, não tínhamos nenhuma relação”. 

Ela criticou a conduta da Rodolfo e afirmou que, no momento antes do crime, Davi apenas tentava cumprir o que havia lhe prometido, de não deixar alguém embriagado dirigir o carro. “Uma pessoa que sai para uma festa para se divertir, leva uma arma, bebe e queria voltar dirigindo. É uma atitude extremamente irresponsável”, disse.

Valéria Hora pediu aos jurados que condenem o réu. “Não gostaria que a morte do meu filho ficasse impune. Meu filho foi assassinado”.

Interrogado, Rodolfo Câmara afirmou que o disparo aconteceu quando Davi puxou a arma em direção a si mesmo, e o réu a puxou de volta. Disse não ter percebido, inicialmente, que o disparo tinha atingido a vítima, porque não viu sangramento. Relatou que não tinha motivo ou intenção de matar, e que ficou desesperado.

O réu admitiu ter feito disparos para cima com a arma durante o trajeto para São Miguel dos Campos, e confirmou os diálogos narrados pelas testemunhas.

Segundo contou Petrúcio Soares Filho, que estava dentro do carro ao lado do qual houve o disparo, Davi disse que “se ele (Rodolfo) matar a gente, eu volto pra pegar ele”. Em seguida, Rodolfo disse “tu mata ninguém, gordinho” e imediatamente houve o disparo. A testemunha Arethusa Ribeiro Valente Afarelli não presenciou o disparo, mas disse que quando chegou ao local, Rodolfo parecia tentar “acordar” Davi, já deitado no banco do passageiro.

Defesa e acusação

O advogado Raimundo Palmeira, que faz a defesa do réu, sustenta que as provas indicam que o disparo foi acidental. “Em momento algum se admite que o réu puxou o gatilho da arma. Os autos demonstram que a arma estava sem o carregador. E a pistola 635, antiga como era, não aciona o gatilho sem o carregador. Eram inúmeros os casos de acidentes por disparo espontâneo da arma pela pressão, sacolejo, manuseio da arma”, afirmou o defensor.

Rodolfo foi absolvido por júri popular em maio de 2014. Em dezembro daquele ano, no entanto, a Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Alagoas anulou o julgamento, sob o fundamento de que a decisão foi manifestamente contrária às provas do processo.

“O conselho de sentença respondeu que o réu não atirou, e como a tese da defesa era de homicídio culposo, o Tribunal entendeu que o júri tinha fugido à tese”, explicou Raimundo Palmeira.

Para o promotor Hermani Brito, que atua pelo Ministério Público no processo, o caso é complexo. “A acusação está baseada no instituto jurídico do dolo eventual. Ou seja, que o réu assumiu o risco de ocorrer o resultado. Consta nos autos que foi uma brincadeira. Ele, embriagado, puxou a arma, apontou pra vítima e disparou. Que foi provavelmente um acidente, tudo bem, mas existe o dolo eventual”.

O fato ocorreu após a festa de São João da cidade de São Miguel dos Campos, em 2005. Segundo depoimentos, Davi Hora e os dois jovens tentaram convencer Rodolfo, que estava embriagado, a não dirigir para Maceió.


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