Esmal 22/08/2024 - 13:44:57
Agosto Lilás: palestra do PCJE reforça luta contra a violência doméstica
Diálogo contou com a participação da juíza Carolina Valões e da advogada Paula Lopes, que falaram para mais de 280 estudantes da rede estadual e municipal

A juíza Carolina Valões e a advogada Paula Lopes conversaram, na terça-feira (20), com quase 280 alunos de escolas públicas sobre o Agosto Lilás e os direitos das mulheres. A palestra foi promovida pelo Programa Cidadania e Justiça na Escola (PCJE) no auditório da Escola Superior da Magistratura de Alagoas (Esmal).

Na ocasião, o enfrentamento à violência doméstica foi destacado. Os jovens presentes aprenderam sobre os tipos de violência doméstica, a rede de apoio para vítimas, os órgãos que atuam no acolhimento das mulheres e os canais de denúncia disponíveis no estado.

Paula Lopes, coordenadora da Casa da Mulher Alagoana do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL), ressaltou a importância de ensinar aos jovens que a violência doméstica contra a mulher não se limita à agressão física, mas envolve diversos aspectos da vida.


Paula Lopes, coordenadora da Casa da Mulher Alagoana. Foto: Adeildo Lobo (Dicom/TJAL)

“A palestra foi excelente, tivemos bastante participação e interação dos adolescentes. O tema abordado foi além do Agosto Lilás. Falamos sobre as violências visíveis e aquelas que não deixam marcas físicas. Hoje se fala muito sobre a violência psicológica, que é uma das que mais cresceu no Brasil, além da violência física, que não se resume apenas a tapas, chutes e empurrões, e a violência patrimonial”, observou a advogada.

Madson Rubens, aluno do 3º ano do ensino médio da Escola Estadual Silveira Camerino, reconheceu a desigualdade de gênero na sociedade e destacou a importância da palestra para jovens de sua idade.

“Hoje eu esclareci minhas dúvidas sobre o tema. Nossa sociedade ainda é muito desigual. A desigualdade de gênero é muito presente, tanto que a Lei Maria da Penha é bastante atuante. A palestra foi muito boa porque me fez enxergar que a nossa sociedade é assim, e nem sempre damos o valor devido a esse tema”, declarou o estudante.

Casa da Mulher Alagoana

A Casa da Mulher Alagoana, vinculada ao Tribunal de Justiça de Alagoas, é um espaço de acolhimento e proteção às mulheres, contando com uma equipe psicossocial, psicólogas e assistentes sociais para atender as vítimas. Há uma ala específica para o registro de boletins de ocorrência de violência doméstica. Além disso, também existe uma sala de atendimento da Defensoria Pública, para dar andamento aos processos.

No local, funcionam o Primeiro e o Segundo Juizados de Combate à Violência Doméstica, além de um abrigo onde a mulher e seus filhos podem permanecer até que as medidas protetivas sejam deferidas. A Casa da Mulher Alagoana funciona 24 horas por dia e está localizada na Rua do Imperador, 119, em frente à Praça Sinimbu, no Centro. Em caso de perigo, a mulher também pode entrar em contato pelo número (82) 2126-9650. Para mais informações, acesse a rede social da Casa. 

PCJE tem grande atuação no enfrentamento à violência doméstica

Neste mês de agosto, o Brasil é marcado pelo movimento Agosto Lilás, uma campanha nacional de conscientização e combate à violência contra a mulher. Lançada em 2016, a iniciativa tem como objetivo ampliar a visibilidade da Lei Maria da Penha, que completa 18 anos em vigor, e incentivar as denúncias de violência doméstica.


 Estudantes do 9º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio de quatro escolas

Carolina Valões, juíza coordenadora de projetos especiais da Esmal, ressalta que o trabalho realizado pelo PCJE é contínuo e ocorre durante todo o ano, com juízes e servidores sendo convidados a palestrar sobre o tema para os estudantes.

“No Agosto Lilás, recebemos os estudantes como convidados especiais para intensificar o trabalho de prevenção e combate à violência doméstica. Entretanto, esse trabalho é realizado durante todo o ano. Em março, por exemplo, trouxemos a Coordenadoria da Mulher para palestrar. Além disso, ao longo dos demais meses, editais são abertos para que servidores e juízes possam se inscrever e ministrar palestras nas escolas”, declarou a juíza.

Para Marianne Acioli, professora de língua portuguesa da Escola Municipal Antídio Vieira, o trabalho desenvolvido pelo PCJE é de extrema importância para reforçar temáticas relevantes para os jovens.

“Assim como todas as palestras que o PCJE traz para nossos alunos, esta é extremamente relevante, principalmente para as nossas meninas, que vivem uma realidade, infelizmente, dentro dessa questão da violência. Vivemos em uma comunidade onde persiste a ideia de que a mulher pode ser abusada, de que a mulher nasceu para realizar o serviço doméstico, então é de suma importância que os alunos e alunas entendam que não deve ser dessa forma. Vamos fazer um trabalho pós-palestra sobre tudo que foi abordado. As meninas se sentiram muito protegidas, principalmente porque foram mulheres do Judiciário falando, elas se sentiram representadas”, disse a professora.

Escolas participantes

O evento contou com a presença de estudantes do 9º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio de quatro escolas: Escola Municipal Dr. Pompeu Sarmento, Escola Municipal Prof. Antídio Vieira, Escola Estadual Prof. Edmilson de Vasconcelos Pontes e Escola Estadual Prof. José da Silveira Camerino.

Kenny Lucas – Ascom/Esmal

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