Geral 14/11/2007 - 18:21:39
Conciliação homologa acordo para desocupação da Fazenda Humaitá


 Acordo foi firmado durante audiência que durou mais de duas horas Acordo foi firmado durante audiência que durou mais de duas horas

     Uma audiência de conciliação realizada na tarde desta quarta-feira (14), na sala do Conselho Estadual da Magistratura do Tribunal de Justiça do Estado de Alagoas (TJ/AL), determinou que a Fazenda Humaitá, em Coqueiro Seco, seja desocupada pelos integrantes do Movimento Libertação dos Sem Terra (MLST) enquanto o Incra realiza uma vistoria completa na propriedade.

     Durante o encontro, ficou acertado mediante acordo que a desocupação será feita na próxima segunda-feira, 19, às 8 horas. A empresa Cinal fornecerá 120 cestas básicas, rolos de lona, além de cinco ônibus e um caminhão para transportar os integrantes do movimento e seus objetos pessoais. O MLST se comprometeu a não proceder qualquer tipo de alteração na área ocupada até o momento da desocupação. A Polícia Militar de Alagoas garantirá o cumprimento do acordo e a manutenção da ordem no local.

     O juiz auxiliar da Presidência do TJ/AL, Carlos Cavalcanti de Albuquerque Filho, conduziu a negociação que se estendeu por mais de duas horas. Segundo ele, a audiência foi extremamente proveitosa, pois o Tribunal de Justiça trouxe a possibilidade de conciliação entre as partes. “A melhor decisão foi tomada hoje. A partir de 2008, questões como esta serão discutidas na Vara Agrária, cujo processo se encontra com o Legislativo para sanção”, explica.

     A liminar foi requerida pelo Instituto Nacional de Conciliação e Reforma Agrária (Incra) e pela Companhia Alagoas Industrial (Cinal), empresa do grupo Braskem, e suspendida pelo presidente do Tribunal de Justiça no dia 08 de novembro. Hollanda Ferreira alegou na suspensão que havia a “possibilidade concreta de grave lesão à ordem pública e à segurança” quando do cumprimento da ordem de reintegração.

     Para Terezinha Vital, representante do MLST, o movimento não está satisfeito com a decisão, mas entendeu que um passo importante foi dado no processo de negociação. “Não acho justo os trabalhadores ficarem sem um local pra ficar e trabalhar, passando fome e necessidade, mas pelo menos garantimos as cestas básicas e não sofreremos violência por parte da polícia”, afirma.

     O procurador de Justiça, Artran de Pereira Monte, representou o Ministério Público de Alagoas, que concordou integralmente com o acordo proposto. Presentes à audiência, advogados e procuradores do Incra e da Cinal, além do ouvidor-agrário de Alagoas, Marcos Antônio Bezerra e representantes do MLST e PM/AL.