Acusados de matar jovem na Serraria participam de acareação
Audiência foi realizada para esclarecer pontos divergentes nos depoimentos dos acusados
Acareação ocorreu no Fórum da Capital. Foto: Caio Loureiro
Três dos cinco acusados de envolvimento na morte da jovem Franciellen Araújo Rocha, ocorrida em fevereiro de 2013, no bairro da Serraria, em Maceió, foram levados ao Fórum da capital, localizado no Barro Duro, para a realização de acareação. Segundo o juiz responsável pelo caso, Geraldo Cavalcante Amorim, titular da 9ª Vara Criminal, a audiência foi realizada a pedido da defesa para esclarecer pontos divergentes nos depoimentos dos acusados.
Os primeiros a serem ouvidos foram Nayara da Silva e Thiago Handerson Oliveira . Em seguida, Victor Uchôa Cavalcanti apresentou sua versão. Eles são acusados pelo Ministério Público Estadual (MPE/AL) por homicídio triplamente classificado.
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Nayara afirmou que nenhum dos participantes da festa, realizada no apartamento da acusada Vanessa Ingrid da Luz Souza, teria sido motivado a agredir a vítima. Ela confessou participação nas agressões e disse que Thiago e Victor teriam sido os mais violentos na ocasião.
De acordo com Nayara, o crime foi planejado por Thiago Handerson, em razão de supostas ameaças de morte feitas a ele pela vítima. Nayara afirmou que os dois teriam levado Franciellen Araújo a um matagal e, em seguida, incendiado a jovem ainda com vida.
Já Victor e Thiago alegam que as agressões cometidas pelo grupo foram motivadas por Vanessa Ingrid. Eles disseram que só participaram do crime porque foram ameaçados de morte pela suposta autora intelectual, que, segundo eles, tem envolvimento com facções criminosas.
A acusada de planejar o assassinato de Franciellen compareceu a audiência ao lado de Saulo José Pacheco, que também foi denunciado pelo MPE de participação no caso, mas os dois não foram ouvidos.
De acordo com o promotor de Justiça do MPE, José Antônio Malta Marques, o depoimento de Nayara teria sido modificado com o objetivo de transferir a autoria do crime para Thiago Handerson. Para a promotoria, a mudança aconteceu por causa do contato que ela teve com Vanessa Ingrid antes de uma das audiências no Fórum da capital.
“Elas passaram o dia inteiro na mesma cela sem qualquer monitoramento, inclusive receberam a visita de advogados. Certamente esses contatos influenciaram Nayara a mudar o discurso”, defende o promotor. Ainda segundo o MPE, o novo depoimento da acusada é oposto ao discurso das mais de 15 testemunhas ouvidas, o que reforçaria a teoria de que Vanessa Ingrid é a mentora do crime.
A conclusão da Defensoria Pública de Alagoas, representada por Ryldson Martins Ferreira, é a mesma do Ministério Público Estadual. O defensor afirma que a acareação serviu para sustentar ainda mais a tese de que Vanessa Ingrid foi a mentora do crime. “Havia contradição quanto à liderança do grupo, mas isso foi totalmente esclarecido hoje. Vanessa Ingrid foi, de fato, a pessoa responsável por planejar e induzir os demais a participarem do crime”, afirmou o defensor público.
Segundo o juiz Geraldo Amorim, a partir de agora, as partes devem apresentar as alegações finais no prazo de cinco dias, já a Defensoria Pública tem o dobro de tempo para manifestar-se. Depois disso, o magistrado terá o prazo de dez dias para emitir um parecer. “Eu posso tomar uma decisão de pronúncia, de impronúncia, posso absorver ou ainda desclassificar o crime. Nesta primeira fase, é de competência do juiz decidir qual vai ser o destino do réu”.
Entenda o caso
Segundo os autos do processo, Franciellen Araújo Rocha foi atraída para uma festa regada à bebidas alcoólicas e drogas no apartamento de Vanessa Ingrid, localizado no bairro de Cruz das Almas. No local, a jovem foi torturada e, em seguida, levada para um matagal no bairro da Serraria, onde foi queimada viva. O motivo do crime seria um suposto relacionamento da vítima com um ex- companheiro de Vanessa Ingrid.













