Geral 14/04/2015 - 18:15:16
Acusados de duplo homicídio são julgados à revelia, no Fórum da Capital
Jamerson Carlos e Erivaldo Lima teriam praticado assassinatos por vingança; término do julgamento está previsto para a noite desta terça (14)

Juiz Geraldo Cavalcante Amorim conduz o julgamento. Foto: Anderson Moreira Juiz Geraldo Cavalcante Amorim conduz o julgamento. Foto: Anderson Moreira

      Mesmo foragidos, os réus Jamerson Carlos Santos Ataíde e Erivaldo Cavalcante Lima, acusados de terem assassinado Ronaldo dos Santos Tavares e José Argemiro dos Santos estão sendo julgados pelo 3º Tribunal do Júri da Capital. A sessão é presidida pelo juiz Geraldo Cavalcante Amorim, titular da 9ª Vara Criminal.

      De acordo com a tese do Ministério Público Estadual (MPE/AL), apresentada pelo promotor de Justiça José Antônio Malta Marques, os acusados teriam se dirigido ao lava-jato onde Ronaldo Tavares e Argemiro Santos trabalhavam e deflagrado oito disparos de arma de fogo contra as vítimas, que não resistiram aos ferimentos.

      O crime praticado em novembro de 2010, no Conjunto Santo Eduardo, em Maceió, teria sido praticado com a ajuda de Emanuel Vitor de Oliveira, que não foi localizado, e de Jaelson Lins da Silva, o "Xoxinho", à época com 16 anos.

      Conforme a promotoria, o crime teria sido motivado por vingança, já que o irmão de um dos acusados teria praticado um assalto e, em seguida, foi espancado pela população, fato que provocou sua morte duas semanas após o ocorrido. De acordo com o promotor José Malta Marques, a participação das vítimas no linchamento nunca foi comprovada.

      Inconformado com a perda, Jamerson Carlos, conhecido como "Coxinha", teria planejado a morte das vítimas e se dirigido com os comparsas, num carro roubado, até o lava-jato onde Ronaldo Tavares e Argemiro Santos trabalhavam. No local, o grupo teria executado o duplo homicídio.

      "Consta nos autos que Jamerson Carlos, que é o grande mentor do crime, foi dirigindo o veículo. Já Vitor teria ido para identificar as vítimas e ajudar Erivaldo e o menor, identificado como "Xoxinho", a executar o duplo homicídio", relatou o promotor José Antônio Malta Marques.

      Ainda de acordo com o MPE, caso sejam condenados, os acusados deverão cumprir a pena assim que forem localizados e que não há possibilidade do crime ser prescrito.

      Tanto a defesa de Erivaldo Lima, feita pelos advogados Paulo Faria e José Carlos Ângelo, quanto a de Jamerson Carlos, que tem à frente a defensora pública Andrea Carla Tonim, sustentam a tese de negativa de autoria. Eles afirmam que a motivação do crime levantada pelo MPE/AL não teria sido comprovada nos autos.

      Ainda segundo a defesa de ambos, a ausência dos réus no dia do julgamento dificulta o trabalho dos advogados, já que eles não estão presentes para prestar suas próprias versões sobre o fato. Entretanto, como Jamerson Carlos e Erivaldo Lima sempre alegaram inocência e permaneceram presos por mais de três anos, a defesa acredita que o Conselho de Sentença compreenderá a ausência dos réus.

      A decisão do Conselho de Sentença deve ser proferida ainda na noite de hoje (14).

     Matéria referente ao processo de n° 0031799-47.2011.8.02.0001