Geral 13/07/2015 - 17:14:37
Audiências de conciliação agilizam soluções de conflitos em União
Juiz Yulli Roter, defensora Andresa Wanderley e psicólogos sensibilizam jurisdicionados para realização de acordos pré-processuais. Veja vídeo!

Juiz Yulli Rotter e defensora Andresa Wanderley acompanham audiências de conciliação, em União dos Palmares. Foto: Robertta Farias Juiz Yulli Rotter e defensora Andresa Wanderley acompanham audiências de conciliação, em União dos Palmares. Foto: Robertta Farias

      Um conflito gerado pela simples compra de um tênis com a numeração errada para o filho mais velho foi parar na 2ª Vara Cível de União dos Palmares, nesta segunda-feira (13). A história, que provavelmente se tornaria mais um processo na Justiça, teve a oportunidade de ser analisada de forma mais aprofundada pelo juiz Yulli Roter Maia, pela defensora pública Andresa Wanderley Barbosa e pelos psicólogos Maria Aragão e Saulo de Tarso Oliveira.

      Esse é um dos casos que estão sendo resolvidos antes mesmo de vivarem processos judiciais, graças as audiências de conciliação que começaram a ser realizadas todas às segundas-feiras, com a presença de dois psicólogos. A ideia partiu da defensora Andresa Wanderley ao constatar que o magistrado Yulli Roter é adepto da conciliação e que 80% dos casos que chegavam ao órgão eram referentes a conflitos de família.

Audiências extrajudiciais agilizam soluções de conflitos em União dos Palmares

      Quando M. M de L. procurou a Defensoria Pública para acionar a Justiça por causa do tênis, a defensora Andresa identificou que aquele problema precisava de uma solução além do âmbito judicial. Nesta segunda-feira, a equipe multidisciplinar pôde identificar que as mágoas entre os pais devido a uma separação conturbada estava causando transtornos na vida dos filhos.

      A partir da conversa, foi dado início a um trabalho de aproximação do pai com os filhos e de viabilizar um relacionamento pacífico entre o ex-casal, separado há mais de dez anos. Neste caso específico será necessário um acompanhamento por mais tempo. No próximo dia 22, a equipe fará uma nova audiência com o pai e os dois filhos para sensibilizá-los sobre a importância do contato entre eles.

      Para o magistrado Yulli Roter, a resolução desse tipo de conflito diminui a possibilidade de que, no futuro, cheguem mais processos judiciais envolvendo aquela família. “Com essas audiências nós estamos conseguindo diminuir a incidência de processos de maior complexidade, principalmente os processos que têm um viés no campo emocional, e o acordo se torna mais problemático. Em função disso, estamos com o setor psicológico justamente para que nesses casos haja um acompanhamento mais específico”, explicou.

     

      O juiz também destacou a importância do trabalho conjunto entre os órgãos que atuam com a Justiça. “A nossa proximidade com a Defensoria Pública faz com que os casos já cheguem aqui minimizados. Isso faz com que haja menos processos no campo de família e sobre mais tempo para nos dedicarmos aos processos de maior complexidade”, disse.

      A defensora pública Andresa Wanderley explicou como surgiu a ideia de realizar os acordos extrajudiciais. “Nas audiências eu percebi que o juiz tinha uma propensão muito boa para o acordo e chegamos a conversar sobre a criação de um núcleo com o apoio de uma equipe multidisciplinar”, contou.

      Ainda de acordo com a defensora, a medida também é importante para desafogar a Justiça. “O que percebemos nos atendimentos é que são questões que ultrapassam a esfera jurídica. Elas envolvem problemas familiares muito mais profundos e precisam de um apoio psicológico, tanto para resolver de forma efetiva quanto para evitar que essas pessoas retornem ao Judiciário”, disse.

      Sensibilização nos acordos

      Ainda nesta segunda, a equipe atendeu e conseguiu viabilizar um acordo entre um pai que estava com a pensão alimentícia atrasada. Além de concordar com a proposta de quitar os débitos, C. A. de F. reconheceu a importância de ele conviver com sua filha. A mãe contou que gostou da forma como seu problema foi abordado e que se sentiu aliviada com a conciliação.

      Os psicólogos explicam como atuam durante as audiências. “Nós percebemos nas pessoas uma necessidade mais psicológica e sentimental, eles trazem questões que não são necessariamente jurídicas. Nós tentamos descobrir se esse conflito está causando algum dano à criança, ao adolescente ou aos membros da família”, explicou Maria Aragão.

      Para o psicólogo Saulo de Tarso, identificar o motivo que causou o conflito é fundamental para se chegar à conciliação. “Alguns casos chegam aqui devido ao inconsciente coletivo que nós trazemos de nossas gerações. Esses problemas vêm à tona durante a audiência, devolvemos a problemática, mostramos soluções e eles saem felizes daqui”, falou.

     

     --------------------------------------------------

     Curta a página oficial do Tribunal de Justiça (TJ/AL) no Facebook e acompanhe nossas atividades pelo Twitter. Assista aos vídeos da TV Tribunal, visite nossa Sala de Imprensa e leia nosso Clipping. Acesse nosso banco de imagens. Ouça notícias do Judiciário em nosso Podcast.